Entrando no Mundo de Cazuza...







A empolgação com minúcias cotidianas aumenta proporcionalmente quando um objeto de estudo está relacionado ao meu trabalho. Podem levantar seus cartazes de reclamação e protestos. Amo meu emprego, minha função. Não entendo exatamente os porquês da vida. Só sei que me encontrei. Assim... como se encontra um grande amor. Sorte. Muitos passam a vida toda e não podem dizer, ou escrever, como o faço, uma frase dessas.

                Exposições, estudos centralizados... o fato é que Cazuza está pintando pelo Museu da Língua Portuguesa. A data não saberei informar. Muito menos mais detalhes. Mas ele está andando pelos corredores da Estação da Luz. Às vezes posso sentir sua presença nas minhas angústias, na hora do almoço ou na solidão de um pensamento. Ele fuma ao meu lado. Penetra nos meus sentimentos mais profundos.

                O Cazuza anda confuso. E, confesso, está me deixando maluca nos últimos tempos. Parece-me gritar obscenidades toda vez que minha cabeça dá um nó diante de uma composição. Burra, burra, burra. Sinto como se ele dissesse: “Giselle, você está muito careta!” Incontestavelmente ele entrou na minha vida. Não posso dizer que gosto dele, de sua pessoa. Confesso, apenas,  que estou apaixonada por suas letras tão diretas e vorazes. Elas me comem a cada vez que leio ou ouço. Devoram minhas entranhas e buscam revoltas, mágoas, sentimentos.

                Cazuza... Cazuza não morreu. Ele vive. Está entre nós. Você ama? Ele está com você. Você sofre? Ele está com você. Você levanta alguma bandeira? Ele está com você. Você quer liberdade? Ele está com você. Sem caretices. Ele está cantando para quem sabe apreciar uma boa música. Ele está mostrando letras para quem sabe compreender o ser humano.

                Não posso dizer que sou a mais entendida no assunto. Cazuza há de me perdoar. Estou expondo as minhas opiniões, tentando me encontrar em meio a tantas palavras. Não quero de forma alguma julgar o certo e o errado. Quero apenas mostrar, na primeira de muitas postagens desse meio de comunicação, que não acredito na morte. Discordo sim de Cazuza. Ele não morreu. Ele vive. Ele está andando lado a lado comigo, nos corredores silenciosos do museu, no trem lotado, nas divagações. Invadiu até mesmo meu coração apaixonado... Tomou meu lugar, está cantando para o meu amor.

“Amor da minha vida... daqui até a eternidade...”

                Exagerado esse menino...!

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